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Superaquecimento da economia ameaça vários mercados emergentes


Quando o ministro Guido Mantega disse em Londres que o Brasil estava em guerra contra a inflação (de novo), parecia estar citando diretamente a revista “The Economist”, que aponta o Brasil, ao lado de países como Argentina, Indonésia, Índia, Turquia e Vietnã como economias emergentes em ponto de superaquecimento.

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Analisando pontos como inflação, déficit público, balança comercial e crescimento do PIB, o estudo da “Economist” mostra que embora tenha tido um crescimento invejável em 2010, de 7,5% ao ano, o Brasil agora está crescendo rapidamente e de forma insustentável.

A análise da “Economist” levou em conta 27 economias e criou um ranking de superaquecimento, levando em conta seis fatores. O primeiro seria inflação, que avançou em média 6,7% em maio. Mas há um abismo entre os emergentes. Enquanto a inflação ficou na casa de 1,7% em Taiwan, a alta dos preços atingiu 20% ou mais na Argentina, Venezuela e Vietnã.

Vale lembrar, porém, que a análise leva em conta os indicadores da iniciativa privada e não os índices oficiais – mais baixos e também mais “dúbios”, segundo a publicação. Tanto que, no caso do Brasil, a inflação projetada no mês passado é de 5,5% (“preocupante”).

Uma parte dessa alta é atribuída à alta no preço dos alimentos, que representam uma parcela maior no carrinho de compras do consumidor emergente do que no de habitantes de economias desenvolvidas. Na China, o núcleo da inflação, descontando alimentação e energia, é de apenas 2,4%. A diferença é que nos mercados em que o desemprego diminuiu, como aconteceu no Brasil, a combinação com o crescimento do PIB e as demandas do mercado podem levar o país ao superaquecimento e consequente desestabilização.

O estudo considerou ainda a taxa de crescimento desde 2007 com os dez anos anteriores para estabelecer a capacidade de expansão da economia emergente. Em termos de Argentina, Brasil, Índia e Indonésia, o crescimento já ultrapassou de longe a tendência histórica, o que indicaria que ainda há muito “espaço para crescer”. Em compensação, na Hungria, República Tcheca, Rússia e África do Sul, a tendência está abaixo da média. Mesmo a China, quem diria, está levemente abaixo de sua tendência.

O problema é que quando o mercado de trabalho está aquecido, outro indicador da pesquisa, as condições de crescimento sustentável vão desaparecendo do cenário. Na Argentina, Brasil, Indonésia e Hong Kong, o desemprego está bem abaixo de sua média nos últimos dez anos. Em maio, o desemprego ficou em 6,4% da população economicamente ativa no Brasil, chegando a bater em 3,7% no Estado do Paraná. Ou, nas palavras de alguns empresários, está faltando trabalhador para tanto emprego.

Mas um dos sintomas mais evidentes de superaquecimento ainda é a expansão do crédito. É ele que pode levar à criação de bolhas, sem falar em inflação. A melhor medida para se saber se um país tem excesso de crédito é a diferença entre a taxa de crescimento em crédito bancário e o PIB nominal. É normal que os empréstimos bancários cresçam um pouco mais rapidamente do que o PIB em economias emergentes, à medida que o setor financeiro se desenvolve. A diferença é que o crédito ultrapassa de longe o PIB na Argentina, Brasil, Hong Kong e Turquia. Os empréstimos no setor privado aumentaram em torno de 20% acima do crescimento do PIB no ano passado tanto em Hong Kong quanto na Turquia. Isso não é regra para todas as economias emergentes: Rússia, África do Sul, Egito e Chile, por exemplo, acontece o oposto, com crédito menor do que o PIB. A China, que antes vivia um boom financeiro, o crédito foi cortado pela metade após a crise financeira e agora acompanha o PIB.

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