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Os reflexos da baixa competitividade industrial


O ano de 2012 é anunciado pelos especialistas como um período de incertezas. A economia brasileira avança em ritmo mais lento. Para os primeiros meses deveremos ter um incremento no consumo interno alimentado por produtos baratos vindos do exterior, efeito do reajuste de 14,13% do salário-mínimo nacional, aumentando mais a diferença entre ganho salarial e produtividade da indústria brasileira.

Economia14

Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, sob o título “Produtividade não justifica aumentos salariais”, mostra como o custo da mão de obra afeta o emprego, forçando grandes empresas a procurar regiões onde o custo com trabalhadores possibilite novos investimentos. Segundo o texto, essa é uma questão importante porque não é apenas a taxa cambial que explica a alta das importações, hoje bem acima do que prevalece nos países asiáticos, superando também os custos de alguns países do primeiro mundo.

Se acrescentarmos a carga tributária, verificaremos que o Brasil se tornou um dos países mais caros do mundo, não podendo enfrentar concorrentes que oferecem produtos com maior conteúdo tecnológico.

A baixa competitividade nacional se reflete diretamente nas exportações, que caem ano a ano, conforme mostram os números apresentados pelo Simecs referentes a 2011. Segundo Julio Sérgio Gomes de Almeida, presidente do Iedi, “ou o Brasil fica mais barato e aumenta a produtividade ou vamos virar precocemente uma economia de serviços”.

Nossa economia vislumbra um futuro promissor, garantido por quase 20 anos de prosperidade, com eventos como a Copa do Mundo no Brasil e das Olimpíadas do Rio de Janeiro e com a exploração do pré-sal que, bem administrados, poderão nos tornar iguais aos cinco países mais desenvolvidos. Hoje, temos o 6º maior Produto Interno Bruto (PIB), mas o nosso PIB per capita ocupa somente a 48º posição, ou seja, precisamos produzir muito mais com o que temos atualmente para integrarmos, de fato e de direito, o clube dos mais desenvolvidos. Precisamos ter direito à importação de máquinas com o mesmo valor dos seus países de origem, sem a nefasta carga. A China é hoje o destino da maioria dos equipamentos de alta tecnologia. Em recente visita a uma fábrica italiana de “puncionadeiras” e máquinas laser, constatamos que 50% dos seus produtos são vendidos para a China e, para o Brasil, menos de 3%.

O governo está enviando para o exterior, em um esforço inédito, mais de 70 mil estudantes com bolsas de estudos para a formação de doutores, que voltarão ao Brasil para desenvolver pesquisas e inovação. O trabalho destes futuros profissionais somente alcançará os resultados desejados, principalmente na indústria, se tiverem à sua disposição máquinas e equipamentos com alta tecnologia para que seus produtos inovadores possam ser desenvolvidos e fabricados a custo competitivo. Já é tempo de passarmos de um modelo de alto consumo para um modelo de altos investimentos na indústria brasileira até para garantirmos que o que se consome tenha origem aqui. Este é o modelo de proteção que precisamos neste momento de crise mundial, pois, quando ela terminar, países desenvolvidos como França, Alemanha, Espanha e Estados Unidos sairão dela com mais força, fabricando produtos baratos através de uma política de altos índices de produtividade.

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