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Novo cenário do Brasil de cara ao futuro do Euro


A pouco tempo de completar dez anos de existência, em 1º de janeiro de 2012, o euro, moeda que simboliza a aliança entre os países que compõem a União Europeia (UE), vive seu momento de maior fragilidade.

crise zona euro

Caso a falta de integração fiscal entre essas nações não seja resolvida – ou pelo menos atenuada -, já é cogitada por economistas uma medida drástica de afastamento de integrantes, que voltariam a usar suas moedas antigas. Nesse cenário de forte pessimismo, o Brasil vive uma situação de certo conforto, amparado pelo poderio oferecido pelo mercado interno. No entanto, a inflação e o endividamento preocupam.

Momento de freio

“A economia vive um momento de freio, mas não pela crise europeia e mais por questões internas. O problema para o qual temos que atentar é o endividamento.

As recentes medidas do governo (de redução de impostos e corte nos juros) estimulam o consumo, mas é importante que esse consumo seja responsável”, avalia o economista Alex Araújo, para quem o uso do cartão de crédito ainda é muito elevado (e arriscado) no País.

Exportação é flanco

Já o economista e consultor internacional, Alcântara Macedo, acredita que, por conta da sustentabilidade da economia nacional, a parcela sujeita à contaminação internacional será aquela que se direciona à exportação (algo em torno de 12% do PIB, diz). Para ele, o governo precisa concentrar atenção na inflação. “A presidente Dilma, enxergando a situação muito ruim na área internacional, sugeriu à equipe econômica que tomasse algumas medidas para manter a economia crescendo. A tendência natural com menos juros é aumento de investimento e renda, mas também de inflação. Portanto, chamo atenção que estejam atentos para combater uma possível reação do processo inflacionário, que corrói salários e tira a esperança da classe média”, diz.

Passando ao largo

De acordo com Araújo, “o Brasil tem ficado ao largo dos problemas ocorridos no exterior graças ao potencial do mercado interno”. Para ele, o governo federal tem um nível muito elevado de informações e tem usado isso para guiar a economia “no caminho certo”.

Já para o lado dos europeus, os dois analistas avaliam a atual situação como de alta complexidade. “Apesar de ser um mercado comum, existe a heterogeneidade das economias – cada uma com sua dimensão, peculiaridades e políticas monetárias e fiscais. Se não houver uniformidade, essa união pode se tornar impossível”, afirma Alcântara.

União ameaçada?

É importante que esses países, continua, consolidem normas gerais entre seus componentes. Ele elogia a decisão em reunião realizada ontem que obriga os Estados-membros a terem de enfrentar sanções automáticas caso o déficit orçamentário supere 3% do PIB.

Araújo credita a crise à relutância e dificuldade política por parte de alguns países em chegar a um acordo fiscal. Diante do agravamento dessas circunstâncias, prossegue, tem se falado entre especialistas sobre a possibilidade de o euro acabar, pelo menos em alguns países. “Seriam duas possibilidades: na primeira, os países em pior situação, como a Grécia, seriam banidos e voltariam a usar as moedas antigas, que já retornariam altamente desvalorizadas. Na segunda, os mais poderosos, caso da Alemanha, é que sairiam e suas antigas moedas seriam valorizadas”, explica.

Medidas extremas

Para ele, no entanto, essas medidas são consideradas extremas e só ocorreriam se todas as outras alternativas possíveis fossem esgotadas. Araújo diz que, mesmo que haja ajuda às nações que passam por momento mais crítico, a longo prazo, isso é insuficiente.

“É necessário que esses países (Grécia, Portugal e outros) tenham receita para se estabilizarem e arcarem com tudo de modo independente no futuro”, afirma. Contudo, frisa, esses membros da União Europeia possuem economias muito frágeis, de baixa industrialização, baseadas no turismo e em atividades menores, o que dificulta que se reergam.

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