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Medidas já são analisadas por causa da desaceleração da economia no Brasil


A desaceleração da atividade econômica do País, verificada com a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) nesta quarta-feira, fatalmente impactará o Produto Interno Bruto (PIB), na avaliação de Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria. O indicador, explica Bacciotti, é utilizado como uma prévia do PIB.

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Como trouxe números que mostram uma queda de 0,26% na atividade econômica do País em junho, comparada a maio, o PIB do segundo trimestre, que será divulgado em setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será menor que o atualmente previsto.

A Tendências, por exemplo, esperava um crescimento de 1,1% para o período, expansão menor que a registrada no primeiro trimestre, de 1,3%. “Mas iremos rever esse número, em virtude da desaceleração”, diz.

Os números do IBC-Br refletem, principalmente, um cenário negativo da indústria de transformação, segundo Bacciotti. Como os dados se referem a junho, não permitem medir se a economia brasileira já sente os reflexos da recente turbulência dos mercados financeiros internacionais, que começou a ser sentida com mais intensidade na primeira semana de agosto.

Por essa razão, os economistas atribuem o desaquecimento a problemas que a indústria brasileira já vinha enfrentando, como a piora do mercado externo e o câmbio apreciado, que impacta a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. “A indústria tem a necessidade de exportar”, defende Silvia Matos, economista do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV). “Houve uma recuperação pós-crise (de 2008), mas a indústria não conseguiu retomar os patamares verificados antes desse período”, afirma.

É o caso da General Motors, que hoje anunciou que irá suspender, em dois sábados de agosto, a produção na fábrica de Gravataí (RS), com o intuito de ajustar os estoques à demanda. "O mercado está andando de lado", disse Marcos Munhoz, vice-presidente de Comunicação, Relações Públicas e Governamentais da montadora.

Por outro lado, os economistas destacam que a desaceleração da economia irá conter a inflação, o que abrirá espaço para que o Banco Central diminua a taxa básica de juros nos próximos meses. “A queda nos juros beneficiará a indústria”, acredita Silvia, acrescentando que outros fatores também poderão contribuir para uma possível retomada. A economista observa que há sinais claros, por parte da presidente Dilma, de que o governo promoverá um aperto na política fiscal. “Para fazer frente à crise de 2008, o governo gastou demais e o país cresceu demais”. Esse cenário, avalia, desencadeou a alta da inflação que se verificou nos últimos anos. “Um gasto menor do setor público certamente beneficiará o setor produtivo”, afirma.

Enquanto a indústria sofre os reflexos do mercado externo, o setor de serviços se mostra estável, de acordo com Silvia, retratando o desempenho favorável do mercado doméstico. E é esse segmento que tem maior peso na composição do PIB. Somando-o ao comércio e à construção civil, representa 65% do produto interno. Já a indústria de transformação responde por uma fatia menor, de 13%. “Temos um setor da economia que está empregando e que irá segurar a queda”, afirma Silvia.

Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), sustentam essa visão. Foram criados, em julho, 140.563 empregos formais, expansão que, de acordo com Silvia, do IBRE/FGV, tem sido promovida pelo setor de serviços, comércio e construção civil. A cifra é positiva, mas 22,6% menor à verificada no mesmo mês de 2010. “Há uma moderação do setor de serviços, principalmente pela contenção de crédito por parte dos bancos, que tende a aumentar pelas atuais incertezas e pelo aumento da inadimplência”, alerta Silvia. “Mas o setor de serviços se manterá favorável”, prevê.

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