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Empresários prevêem inadimplência menor


A queda no ritmo de crescimento da economia brasileira afeta diretamente os pequenos e médios negócios, principalmente nos quesitos lucro e investimentos por conta das altas taxas de juros e inflação.

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A expectativa dos empresários para o terceiro trimestre do ano diminuiu de 74,2 pontos para 72,3, em uma escala de 0 a 100 do Índice de Confiança de Pequenos e Médios Negócios (IC-PMN), realizado pelo Insper e pelo Santander. Contudo, o setor demonstra estar positivo em relação à inadimplência, já que cerca de 54% dos empresários entrevistados pela pesquisa acreditam que o índice diminuirá muito nos próximos meses.

Esta é a terceira queda consecutiva do índice, que engloba seis indicadores: economia, ramo de atividade, faturamento, lucro, emprego, investimento e, nesse ano, inadimplência. Segundo César Fischer, superintendente de pequenas e médias empresas do Santander, os resultados são utilizados estrategicamente nos negócios do banco.

 

"Usamos o IC-PMN interno no Santander para estratégias de pessoa jurídica e em comunicados, como as newsletters direcionadas a esse público. Também é um dos pilares do Santander Franquias."

Na percepção do executivo, um dos problemas do segmento é a falta de planejamento e organização, e a instituição financeira tem a preocupação de trabalhar a formalização para diminuir os níveis de falência. "Procuramos entender o que acontece e fornecer dicas para um adequado planejamento, como controle de estoque e conquista de novos clientes. O médio e pequeno empresário começa o negócio, muitas vezes, sem o plano de negócios", disse Fischer, que acrescentou o importante papel do segmento de franquias nos negócios: "O setor de franquias cresceu 25% ao ano nos últimos três anos e o número de fechamentos é baixo, cerca de 1%. Isto porque já percebem que é preciso ter dinâmica e planejamento. Por isso, preferem um negócio com nome e estrutura".

No que se refere à inadimplência, a maior porcentagem, cerca de 54%, confia em que no terceiro trimestre os níveis irão cair, enquanto apenas 11% aposta no aumento. Para o restante, 35%, o nível de atraso nos pagamentos não deve mudar. O professor do Insper responsável pelo levantamento, José Luiz Rossi Jr, acredita que o resultado reflete o modo como os empresários percebem o atual cenário. "Os empresários veem que não há impacto porque a economia está num ritmo menor, mas continua a crescer."

Já Danny Claro, também professor do Insper, revela que a média de 54% de perspectiva de queda no atraso de pagamento de dívidas comprova um diferente comportamento. "O valor demonstra como os empresários criam mecanismos e já fazem uma leitura melhor do mercado, ao aprender e se adequar a essa nova economia."

Outro ponto que merece destaque é a perspectiva de lucro dos empresários, que caiu 3,3%, de 77 pontos no segundo trimestre do ano para 74,5 pontos nos meses de julho, agosto e setembro. De acordo com José Luiz Rossi Jr, a projeção obteve queda por causa do custo de capital maior, com as altas taxas de juros. "O empresário acredita que o faturamento continua forte com o crescimento da economia, mas a percepção de lucro diminui por conta dos custos. Outro fato é a inflação, que eleva o custo do insumo, que não é repassado para o consumidor."

O executivo do Santander César Fischer acrescentou que o impacto das medidas de aumento dos juros influencia mais fortemente no comércio, já em serviços é mais estável porque depende menos do crédito. Na divisão do índice de confiança por ramos de atividade, Comércio recuou de 74,4 pontos para 71,3 pontos, enquanto Serviços registrou pequena variação, de 73,6 pontos para 73,4 pontos no terceiro trimestre de 2011. Indústria variou de 74,4 pontos no segundo trimestre deste ano para 73,5 pontos nesta edição.

Em relação a investimentos, a queda também foi significativa, de 73 pontos na perspectiva do segundo trimestre para 70 pontos para o terceiro trimestre. "Parte sentiu restrição ao crédito, mas o fator principal é a perspectiva menor de crescimento da economia, o que faz o empresário adequar o seu plano de investimento", explicou José Luiz Rossi Jr.

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  1. […] projeções de crescimento da economia brasileira para este ano foram reduzidas em até meio ponto porcentual pelo mercado. Há consultorias que […]

    Pingback por Expectativa de crescimento cai — 27 de julho de 2011 #

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