Busca:

Emprego e Consumo


O consumo interno vem segurando a onda da economia brasileira, neste 1º semestre de 2011, mesmo diante das medidas de austeridade monetária implementadas pelo Banco Central, desde o final de 2010. De fato, a absorção doméstica continua sendo impulsionada pela combinação entre queda do desemprego e subida dos rendimentos e da geração líquida de empregos formais.

istockphoto_3584033-balancing-the-accounts

A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas do País acompanhadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) situou-se em 6,4% da População Economicamente Ativa (PEA) em abril de 2011, o menor nível para o mês desde o começo da nova série em 2002, contra 6,5% em março de 2011 e 7,3% em abril de 2010. Já a remuneração real média mensal atingiu R$ 1.540,00 em abril de 2011, com incremento de 1,9% em relação a abril de 2010, apesar do declínio de 1,8% frente a março de 2011.

Conforme levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o saldo de admissões menos demissões de trabalhadores com carteira assinada no País totalizou 880.717 pessoas no primeiro quadrimestre de 2011, o que representou incremento de 2,45% em comparação com o mesmo intervalo de 2010.

Aliás, a abertura de vagas de trabalho formal ultrapassou os 14,0 milhões entre 2003 e 2011, havendo inclusive escassez estrutural de oferta deste fator, em praticamente todos os estratos de qualificação, fruto da crônica insuficiência de inversões em educação, o que pode comprometer o aproveitamento de um conjunto nada desprezível de oportunidades, vinculadas ao pré-sal, ao Programa de Aceleração do

Crescimento (PAC) e aos eventos esportivos, como Copa do Mundo e Olimpíadas.

Na verdade, a ocorrência de reativação dos negócios, a partir do 2º trimestre de 2009, serviu para acirrar a disputa por mão de obra pelas companhias, alterar qualitativamente o perfil da demanda, mais exigente em formação e capacitação, ampliar a rotatividade e inflar o poder de barganha dos sindicatos nos acertos das remunerações e dos benefícios indiretos, como diminuição de jornada, pagamentos de horas extras e concessão de gratificações.

Outro aspecto interessante compreende a maior movimentação de mão de obra observada nas categorias que percebem até 1,5 salários mínimos por mês. Tal faixa representou 67,0% das admissões e 63,0% dos desligamentos no ano da firme recuperação econômica de 2010, contra 63,0% e 59,0%, respectivamente, no exercício de 2008, marcado pelo crescimento antecedente à crise.

Por fim, os dados da Pesquisa Mensal de Emprego e Salário (PIMES), realizada pelo IBGE, permitem constatar elevação real de quase 30,0% do valor do salário médio pago pelo parque manufatureiro brasileiro entre 2004 e 2010. Se forem adicionadas as perdas de competitividade sistêmica, ocasionadas por exagerados encargos tributários, financeiros, infraestruturais, burocráticos, cambiais e de gastos públicos correntes, prevalecentes no Brasil, é fácil compreender o intenso descompasso entre oferta e demanda agregada, coberto por importações, e o diminuto grau de investimento em ativo fixo, sobretudo em segmentos portadores de progresso técnico e/ou multiplicadores de renda. O País investe 1,1% do PIB por ano em Ciência e Tecnologia, contra média superior a 3,0% do PIB das nações emergentes.

Post Relacionados

2 Comentários

RSS de comentários. TrackBack URI

  1. […] apresentaram queda de confiança da ordem de 1,9%, enquanto aqueles com renda inferior a dez salários mínimos mostraram-se 2,4% mais […]

    Pingback por Confiança do consumidor na economia brasileira permanece elevada em SP — 7 de junho de 2012 #

  2. […] o empresário, um dos desafios para os próximos anos será a capacitação de mão de obra. ‘Um dos desafios vai ser treinar muita gente. Nosso grupo está preparando nos próximos 3, […]

    Pingback por A década de ouro prognosticada pelo Eike para o Brasil — 4 de novembro de 2012 #

Deixe um comentário

XHTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Condiciones de uso de los contenidos | Responsabilidad

| Canal Brasil