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Destaque da economia brasileira: O setor TI


Na contramão da desaceleração da economia, o setor de tecnologia da informação está em franco crescimento. Ao largo dos problemas que afetam o Brasil, ele deve registrar expansão de 12% em 2012, num ritmo três vezes maior que o Produto Interno Bruto (PIB, a soma das riquezas geradas no país).

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O cenário, muito além de minimizar o impacto da crise internacional, abre uma imensa oportunidade para quem quer trabalhar. Estima-se que, hoje, o deficit na área seja de 92 mil profissionais. Em 2013, ele chegará a 140 mil, revelam dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

Sergio Sgobbi, diretor de Educação e Recursos Humanos da Brasscom, diz que é justamente a falta de pessoal qualificado que está puxando os salários para cima.

“As empresas precisam oferecer benefícios e pagar mais para tentar ‘roubar’ o profissional de outras companhias. Especificamente no DF, a concentração dos serviços públicos e bancários eleva a média salarial”, afirma. Ele observa que as estimativas de vagas feitas para até 2013 não consideram a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Com os preparativos para as grandes competições, os números só devem aumentar.

O melhor é que a área não exige, necessariamente, formação superior. Certamente, ter o diploma em mãos ajuda. No entanto, mais importante do que ele é conhecer muito bem as tecnologias. “A pessoa precisa saber utilizar os aplicativos. Um garoto pode aprender sozinho, ser certificado em alguma ferramenta que o mercado demanda e contratado em uma grande empresa. Mas também pode ser o técnico, o analista, o engenheiro. Enfim, há oportunidades para vários níveis”, diz.

Na avaliação de Sgobbi, o setor deve manter uma tendência de crescimento robusto a longo prazo. “Para o jovem que pretende ingressar na área, há uma possibilidade de carreira internacional. As empresas são globalizadas e pagam bom salários”, afirma. Ele observa, no entanto, que se destacar nesse mercado exige sacrifício. “A tecnologia não para de mudar. Por isso, a profissão demanda estudo e dedicação. Sem dúvida, aprender outros idiomas também é um critério, pois a linguagem de programação é em inglês.”

Presidente da CDS Condomínio de Soluções Corporativas, Paulo Roberto Moura busca novos talentos. Desde que abriu a empresa, em 2002, o empresário de 37 anos viu sua equipe, antes restrita a um escritório em Brasília, aumentar de seis para 250 funcionários, agora também em São Paulo. Há dois anos, ele criou um programa de estágio, com a abertura de 10 vagas por ano em áreas como análise de sistemas, ciência da computação, administração, economia e comunicação. Os aprovados passam por dois anos de treinamento e, na maioria dos casos, são efetivados.

Moura diz que tem investido na capacitação dos empregados. Todo o esforço, no entanto, não é suficiente para suprir a carência de profissionais. “Estou com 75 vagas abertas e não consigo preencher”, revela. Do total de oportunidades, 45 são em Brasília e 30 em São Paulo, com salários que variam de R$ 5 mil a R$ 10 mil. Os cargos ociosos são, principalmente, de arquiteto da informação e especialista nas áreas de banco de dados e inteligência empresarial — a atividade de explorar e analisar informações para usá-las estrategicamente.

A globalização só vai aumentar os desafios do presidente da CDS. Ao longo deste ano, o seu contrato com a General Motors rompeu fronteiras e ele passou a exportar conhecimento e tecnologia para as unidades da empresa na Colômbia, no Chile e no Equador, as suas primeiras parcerias internacionais. No ano que vem, vai abrir escritórios em Curitiba e em Porto Alegre. Para fazer os negócios prosperarem, terá de atrair e reter as melhores cabeças do mercado.

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