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Ceticismo do mercado e pressão sobre Hypermarcas


Há apenas alguns meses, a varejista Hypermarcas parecia uma aposta certeira para investidores que buscavam faturar com a explosão do consumo no Brasil. Mas agora a maré está virando e alguns investidores temem que a empresa tenha crescido demais e muito rápido, talvez dificultando sua capacidade de entregar os altos retornos que anteriormente pareciam prováveis.

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Ofertas bem sucedidas de ações e de títulos de dívida deram à companhia cacife para engolir dezenas de rivais menores nos últimos três anos e lhe garantiram maior musculatura no mercado de consumo do país. Mas alguns investidores se preocupam que o frênesi de aquisições tenha inchado a companhia– enquanto outros já preveem um desastre.

Com isso, a ação da varejista acumula desvalorização de 51 por cento neste ano, com investidores questionando a capacidade da Hypermarcas de manter suas enormes taxas de crescimento. E a recente imposição de condições mais duras a distribuidores e de cortar as estimativas para o fim do ano ampliaram o ceticismo.

A tensão está aumentando antes da divulgação na próxima segunda-feira dos resultados do segundo trimestre –vistos por alguns como uma boa oportunidade para por fim a tais temores.

"Há uma expectativa de crescimento enorme da Hypermarcas, e, se tal previsão não for atendida, isso causará um reajuste" das percepções do risco envolvido na companhia, disse Alfredo Viegas, diretor da estratégia para mercados emergentes da corretora Knight Capital, em Connecticut.

A situação da varejista ilustra como a confiança na economia brasileira vem se desgastando, à medida que o ciclo de anos de rápido crescimento mostra sinais de desaceleração. Alguns temem que o presidente-executivo da empresa, Claudio Bergamo, tenha que integrar as mais de 30 aquisições dos últimos anos e cortar a dívida em um cenário menos otimista.

A companhia se recusou a comentar o assunto.

MODELO SOB PRESSÃO?

No âmago desses temores está o modelo de negócio que fez a Hypermarcas se tornar a "queridinha" do mercado desde a oferta inicial de ações em 2008, disseram os investidores.

A Hypermarcas se tornou a maior fabricante de bens de consumo não duráveis após comprar dezenas de marcas conhecidas, porém com desempenho fraco, nos segmentos de medicina, beleza, alimentos processados e limpeza. A empresa gasta muito com marketing para dar visibilidade às marcas adquiridas.

Sua liderança em vários setores a tornou uma favorita no mercado, disse o analista Iago Whately, do Banco Fator. Ele espera que a Hypermarcas supere o momento ruim e supere as dúvidas sobre seus negócios.

"Minha estimativa de crescimento no longo prazo se mantém", disse.

Mas o mercado de consumo brasileiro está perdendo impulso. Três de cinco companhias de bens de consumo que já divulgaram resultados para o segundo trimestre ficaram abaixo das estimativas coletadas.

A previsão atual para a Hypermarcas "coincide com uma projeção macroeconômica muito menos favorável", escreveu recentemente Daniella Bretthauers, analista da Raymont James, em São Paulo.

Alguns investidores afirmam que resultados substancialmente abaixo das previsões de lucro e metas de sinergia podem golpear as ações e títulos de dívida da Hypermarcas.

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