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Brasil forte repatria cerebros


Um sinal importante sobre o grau de desenvolvimento de uma nação é o destino da sua mão de obra mais qualificada. Em tempos difíceis, grandes cientistas e pensadores tendem a migrar para lugares em que seu conhecimento e talento são mais valorizados.

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Foi assim no Brasil durante muitos anos: “exportamos” cérebros ­— para Europa, EUA ou Japão — tanto quanto matérias-primas. A estagnação da economia brasileira iniciada no fim da década de 1970 e a falta de políticas públicas de incentivo ao desenvolvimento científico e de pesquisa colaboraram para o mais recente período de “exportação” de profissionais qualificados.

Com todo esse histórico, é muito bom poder dizer que isso começa a mudar. É cada vez maior o número de pesquisadores e profissionais que deixaram o país para fazer carreira no exterior e, agora, retornam para aproveitar as oportunidades de crescimento que o Brasil oferece.

Um bom exemplo é a área da saúde. A tendência de retorno dos médicos ao país é confirmada pelos principais organismos de fomento à pesquisa: o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Sem apoio para continuar seus trabalhos nos países desenvolvidos, devastados pela crise econômica internacional, esses pesquisadores passaram a ver no Brasil um terreno fértil para realizar suas atividades. Uma das razões é o aumento na verba disponível para pesquisa, tanto no setor público como no privado. Só em São Paulo, os hospitais particulares esperam investir R$ 2,7 bilhões em pesquisa nos próximos cinco anos.

Segundo o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, desde o ano 2000, os investimentos no setor de P&D saltaram de R$ 26,3 bilhões para R$ 43,7 bilhões em 2008. Enquanto isso, nos EUA, a verba disponível para pesquisa caiu 20%.

Essa realidade de um Brasil fortalecido, prestes a se tornar a quinta maior economia do mundo, começa a atrair também pesquisadores estrangeiros não só da área médica. O número de vistos de trabalho para estrangeiros cresceu 50% entre 2009 e 2011, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego. Boa parte deles é de profissionais qualificados atraídos por oportunidades como a exploração do pré-sal e os grandes eventos esportivos que vamos sediar.

O “resgate” dos cérebros brasileiros, somado à chegada de profissionais de outras nacionalidades, é uma notícia duplamente positiva, pois, além de trazerem na bagagem toda a experiência e conhecimento acumulados no exterior, eles contribuem para amenizar o déficit de mão de obra qualificada, que aumentará ante a perspectiva de manter nosso crescimento nos próximos anos.

No entanto, isso não é suficiente. Precisamos continuar aumentando os recursos disponíveis para desenvolvimento e pesquisa, chegando a pelo menos 1,5% do PIB — em 2008, alcançamos 1,19%, o que já é praticamente o dobro do que ocorre nos demais países da América Latina. Também é imperativo continuar e acelerar os investimentos na qualidade da educação, desde o ensino básico até o nível superior e a pós-graduação.

Esse retorno de profissionais qualificados é fundamental para que o Brasil esteja preparado para os desafios futuros, um caminho longo e cheio de percalços. Mas a volta de talentos do exterior revela que uma grande transformação está em curso. Nossa responsabilidade é aprofundá-la.

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