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Brasil continuará a crescer em 2012, mas quadro é de alerta para o setor industrial


Crise da dívida na Zona do Euro, diminuição do consumo e encarecimento do crédito. Depois de um 2011 que teve o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro abaixo das expectativas traçadas no começo do ano – entre 6% e 7% – o próximo ano também não deve ser de expansão muito forte, embora o desempenho tenda a superar os países desenvolvidos.

BRASIL CRESCE

“As expectativas para a economia brasileira devem ser encaradas da perspectiva para o próprio mundo. Os analistas ainda estão pessimistas em relação ao primeiro semestre de 2012, devido à expectativa de que o pior da crise econômica mundial ainda não passou”, diz Antonio Colangelo Luz, professor da Trevisan Escola de Negócios. Isso acaba por gerar diversos problemas, principalmente em relação ao setor da economia que depende das exportações para o seu crescimento.

 

Queda na Selic e altos investimentos garantem alta do PIB

Para a MCM Consultores, o crescimento em 2012 será pouco maior do que neste ano, quando deve atingir +2,8%. Essa aceleração, segundo a consultoria, será apoiada pela queda da taxa Selic, pela expansão dos investimentos públicos e pela adoção de novos programas de estímulo. Em 2012, a economia deve avançar 3,2% nas estimativas da MCM.

Segundo o professor Colangelo Luz, os investimentos em infraestrutura, com foco para os próximos eventos esportivos que o Brasil sediará, como a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, serão importantes fatores para impulsionar a economia brasileira. “Esses eventos serão positivos pois levarão mais investimentos para regiões que não receberiam tamanho aporte de recursos tão cedo. Temos, assim, que confiar que os governos alocarão adequadamente esse capital para trazer melhorias para esses lugares”.

Para os analistas do Credit Suisse, os projetos de investimentos programados entre 2012 e 2014, relativos às obras da Copa do Mundo, além dos investimentos da Petrobras e do setor de geração de energia elétrica, garantirão um crescimento adicional dos investimentos, em termos reais, de 2,5 ponto percentual ao ano. “Esses projetos contribuirão para a expansão dos investimentos, apesar do baixo dinamismo industrial e do cenário global adverso”, diz.

Consumo em baixa

Segundo os analistas do Credit Suisse, o consumo das famílias nos próximos trimestres tende a ficar mais próximo do ritmo médio dos ciclos com menor expansão. Porém, o mercado interno ainda é um player fundamental, aponta o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados.

Barros projeta que o Brasil terá um crescimento do PIB de 3,5% para 2012, mas ainda muito mais baixo do que o seu potencial permite. Segundo ele, o País poderia crescer entre 7,5% e 8% na atual conjuntura, “mas segue travado pelas más condições de infraestrutura e outros gargalos que impossibilitam uma aceleração mais forte da economia nacional”.

Para Colangelo Luz, o portfólio de consumo do brasileiro irá mudar um pouco em 2012, com menores gastos em automóveis e outros bens de maior valor agregado. “Em termos de valor absoluto, deve haver uma retração em relação a 2011”, avalia. Mas a entrada cada vez maior das classes C e D no mercado de consumo devem continuar a garantir a expansão do crescimento.

Em um cenário de consumo desacelerando, “a inadimplência também se constitui em fator preocupante para o Brasil em 2012”, acredita o professor da Trevisan, com a observação de taxas de empréstimo cada vez maiores, indicando que o risco de não-pagamento está cada vez maior. “Quando a situação econômica está um pouco mais difícil, cresce o risco de inadimplência”, diz.

A desaceleração do consumo, entretanto, será menos expressiva e mais gradual do que a dos investimentos, aponta o Credit, sendo que a menor expansão do emprego e do crédito vem reduzindo a ampliação do consumo das famílias desde o terceiro trimestre de 2011.

Sinal de alerta para a indústria

O setor industrial deve seguir prejudicado nos próximos períodos, depois de um intervalo de tempo em que usufruiu da importação de bens de capitais mais baratos no exterior para ajustar a demanda à sua oferta, que era bem mais baixa, afirma o economista da MB Associados. “Com a valorização do real, os industriais brasileiros acabaram entrando em dificuldades”, explica.

Segundo a CNI (Confederação Nacional das Indústrias), o quadro atual é de alerta para o setor industrial. “Se a piora da conjuntura externa dificulta ainda mais a já acirrada competição para o exportador, a pressão dos produtos importados, paralelamente, reduz a competitividade da indústria brasileira. Tudo isso reforça a urgência de ações mais eficazes para retomar o crescimento”, afirma a confederação.

O Credit Suisse também aponta para uma diminuição da competitividade industrial no Brasil em 2012. “em um cenário de inflação doméstica superior à externa e num momento de taxas de câmbio mais estáveis”, assim como de alta no custo de mão-de-obra do País.

Alta demanda para a construção civil

Do lado positivo, Mendonça de Barros aponta a continuidade da expansão da demanda no setor de construção civil. O segmento apresenta uma ampla expansão desde 2010.

“O Brasil passou por um longo período de estagnação no setor, o que está acontecendo agora é um reajuste saudável do mercado, e com problemas apenas do lado da produção”, comenta o economista.

Selic em queda, inflação ainda em alta

Segundo a MCM Consultores, os juros devem manter uma trajetória de queda, ainda mais porque a inflação esperada pelo Banco Central é mais favorável do que a do mercado. O cenário em que a consultoria trabalha é de mais três reduções de 50 pontos-base na taxa Selic em janeiro, março e abril, alcançando um índice de 9,5%. Já em meados de 2013, o juro básico deve voltar a subir.

Para o professor Colangelo Luz, mesmo com os sucessivos cortes que o Banco Central está fazendo na taxa Selic para impulsionar a atividade econômica, a inflação não deve ficar em segundo plano em 2012. “As autoridades seguem preocupadas em manter um ritmo de crescimento sustentável, sem que isso leve a uma pressão sobre os índices de inflação”, avalia.

Já Mendonça de Barros acredita que o BC decidiu correr o risco de enfrentar uma inflação mais forte em 2012, em prol da melhora econômica brasileira. O economista espera que a Selic chegue a um patamar de 9% ao final de 2012, enquanto o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), principal indicador de inflação do País, deve fechar o próximo ano em 5,5%.

Os analistas do Citigroup também acreditam que a inflação chegará ao patamar de 5,5%, com base na tendência de baixa dos preços das commodities e de um menor hiato entre a produção e o consumo do mercado. Já a taxa Selic deve sofrer cortes até abril do próximo ano, chegando a um patamar de 9,5%, devido à continuidade desse ciclo de desaceleração, levando o BC a continuar com sua polpitica de flexibilização monetária.

Para a Fecomércio, os novos cortes na Selic também irão influenciar o volume de crédito disponível ao consumidor, que deve crescer 15% em 2012 , representando um aumento real de 10%, descontando a inflação no período.

Tendência de estabilidade para o mercado de trabalho

A Fecomércio ainda estima que, em 2012, serão gerados entre 1,5 milhão e dois milhões de postos de trabalho, suficiente para absorver a mão de obra que chegará ao mercado. “Assim, o nível de desocupação, que está no patamar mais baixo da história – ao redor de 5,8% –, deve chegar, no máximo, a 6,5%”. A renda das famílias, por sua vez, deverá ter um incremento de 5% ao longo do ano.

Segundo o professor Colangelo Luz, há a expectativa de uma elevacão das taxas de desemprego para os próximos meses. “Porém, em relação ao ano em geral, a ideia é que ela apresente manutenção”, afirma.

Confira as estimativas para a economia brasileira para 2012:

Instituições PIB Inflação Selic
MCM Consultores 3,5% 5,5% 9,5%
MB Associados 3,5% 5,5% 9%
Citigroup 3,5% 5,5% 9,5%
Fecomércio – SP 3% 5%

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