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Alguém tem que perder se outro ganhar, a economia brasileira de olho na crise


Durante muito tempo analisamos todas as possibilidades, negociamos incertezas com uma certa convicção e esquecemos que o improvável não significava impossível. Depois de décadas, passamos por uma grande crise novamente, tudo por causa da longa cauda estatística. O que deveria nos salvar quase nos destruiu.

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Os fatos começaram há três anos, na crise de 2008, mas, como em tudo, na economia também existe uma inércia, e assim elas seguiram. A crise parecia ter acabado, mas as caudas continuavam longas.

Sabe aquela velha história que uma borboleta no pacífico pode gerar um furacão no atlântico? Creio que o contrário também é verdadeiro, e conhecemos isso como teoria do Caos. Mas afinal o que quer dizer Caos? Mais que um Deus grego, o Caos hoje é uma forma simples e direta de dizer que as coisas estão indo mal. Então, se a maior potência estiver à beira de um colapso? E se o velho mundo, detentor de boa parte da história da humanidade estivesse ruindo? E se tivéssemos que repensar os modelos econômicos? E se tudo que aprendemos estivesse errado ou fosse obsoleto? Como chamaríamos isso? Caos?

Os EUA vivem um momento ímpar da história! Conheço crises não planejadas, mas estamos entrando em uma que é o oposto disso. Afinal, quanto vale uma imagem? Quanto custa estar no topo? Em um momento em que o papel das agências de rating estão em cheque, os EUA entram em uma briga política que pode culminar em algo com dimensões impensáveis. Tudo isso pelo simples motivo de haver uma crise política, pois bastam algumas assinaturas para resolver o impasse. Mas será mesmo?

Vejamos primeiro a curto prazo. A economia é um jogo de soma zero, onde alguém tem que perder se outro ganhar. Para os EUA não pagar as suas contas, alguém tem que pagar, e este alguém é a população, seja por aumento de impostos ou de juros, tem que pagar. Uma negativa em subir o teto da dívida geraria algo impensável – o ranting do país mais "seguro" do mundo cairia. E é aqui que mora o problema, porque se algo pode cair, o mercado entende como uma probabilidade, e isso é repassado nos preços. Se a possibilidade é baixa, incorpora-se um valor baixo, mas incorpora-se. Se algo é muito baixo, ou altamente improvável, o valor tende a ser zero e isso chama-se Cisne Negro. O mesmo cisne encontrado na Oceania dá o nome ao efeito que criou a maior crise mundial desde a de 29, que teve seu ápice em 2008, e como um dominó, continua a derrubar.

É a crise do altamente improvável.

Agora vamos ao futuro. O fato de divulgarmos que algo pode acontecer deve necessariamente ter uma reação do mercado e isso está acontecendo. Manter os EUA em um rating AAA é esquecer o passado, mais que isso, é "matar o cisne". Qualquer que seja a resolução do congresso norte-americano, a bandeira está de pé e ela diz que algo deve ser feito. A discussão sobre se essas três letras devem virar uma, não deveria mudar em absolutamente nada o rumo do mundo, mas sim colocar em cheque o modelo atual de medição. Hoje, vemos claramente que todo o conceito por trás das letras é político. Uma briga que pode acabar com as chances de sucessão de um presidente não poderia machucar a economia, pois nada deve sobrepor a vontade de um povo.

Como sempre, o Brasil paga por isso. Uma crise como essa diminui o poder de capital nas mãos do povo americano (entre os maiores consumidores do que é exportado pelo Brasil). Uma crise como essa é um calote aos credores dos títulos americanos (que tem a China como maior e o Brasil na quinta posição).

Frear de qualquer forma a economia chinesa não é ruim apenas para o Brasil, mas para o mundo. As commodities tendem a cair de preço, dada a diminuição da demanda dessas duas potências, enquanto a produção mantém-se estável e o Brasil pagando o preço por ainda ser um grande dependente de suas exportações. "A longo prazo o mercado se alinha, e estaremos todos mortos", como dizia John Keynes.

Quem diria que dois belos seres da natureza como o cisne e a borboleta poderiam causar tantos danos. Acho que estamos vendo uma borboleta bater as asas no atlântico e tenho minhas dúvidas se o furacão se formar no pacífico, como provável seria. Talvez esse país tropical sul-americano em que vivemos possa sentir as ventanias mais cedo.

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